No polo da FCUP do INESC TEC, ligado à Fotónica Aplicada, desenvolvem-se soluções para otimizar a produção de macroalgas, com múltiplos benefícios ambientais e potencial económico.
O projeto BIG-ALGAE, no qual participa Luís Coelho, docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e investigador do INESC TEC, foi distinguido com o STEP Seal, um selo de excelência atribuído pela Comissão Europeia. O reconhecimento destaca o potencial da investigação realizada no polo do INESC TEC na FCUP para contribuir para uma produção europeia de macroalgas mais sustentável e tecnologicamente avançada.
A investigação está a ser realizada no Centro de Fotónica Aplicada, localizado no Departamento de Física e Astronomia, onde a equipa deste investigador, que coordena as atividades do consórcio no INESC TEC, se encontra a desenvolver componentes digitais e de monitorização dos sistemas de produção com a cooperação dos domínios de Fotónica Aplicada e de Engenharia de Sistemas e Gestão Industrial. “O nosso contributo centra-se no desenvolvimento de soluções de sensorização, monitorização em tempo real e ferramentas digitais de apoio à decisão. Estas soluções permitirão otimizar parâmetros como a qualidade da água, a disponibilidade de nutrientes, o crescimento da biomassa e o momento ideal de colheita”, refere Luís Coelho. Participam igualmente neste projeto investigadores do Centro de Engenharia de Sistemas e Gestão Industrial, localizado no edifício sede do INESC TEC, na FEUP.
O docente da FCUP explica em maior detalhe o principal objetivo do BIG-ALGAE, que tem o INESC TEC entre os parceiros: “Pretende-se criar condições para uma produção europeia de macroalgas mais previsível, sustentável e competitiva, reforçando a capacidade europeia de responder à procura crescente de biomassa de qualidade para setores como a alimentação, rações, cosmética, têxteis, embalagens e outros materiais de base biológica”. “O cultivo controlado de macroalgas poderá ainda reduzir a pressão sobre populações selvagens, melhorar a utilização de recursos e potenciar novas cadeias de valor associadas à economia circular”, acrescenta.
Da alimentação aos cosméticos, dos têxteis às embalagens sustentáveis: são múltiplas as aplicações das macroalgas. O problema? A Europa continua ainda muito dependente da apanha selvagem deste recurso, o que limita a disponibilidade, a regularidade do fornecimento e a qualidade da biomassa necessária para aplicações industriais. Para além do potencial económico, as macroalgas apresentam ainda importantes benefícios ambientais. Podem contribuir para a captura de carbono, para a reciclagem de nutrientes e para a substituição de matérias-primas de origem fóssil em diferentes produtos e processos industriais.
O projeto está a desenvolver quatro modelos de cultivo aplicáveis a cinco espécies nativas europeias de macroalgas: produção offshore, sistemas terrestres recirculantes, integração com aquacultura de peixes através do conceito IMTA (Integrated Multi-Trophic Aquaculture) e ainda sistemas urbanos destinados a regiões sem acesso direto à costa.
“O BIG-ALGAE não se limita a uma abordagem científica, procurando também preparar soluções replicáveis e aplicáveis ao mercado europeu de macroalgas”. Luís Coelho relembra que, nesse sentido, o consórcio reúne “produtores, empresas e utilizadores finais, prevendo a demonstração das soluções desenvolvidas em níveis de maturidade tecnológica próximos da aplicação industrial”.
O reconhecimento STEP Seal reforça o potencial desta iniciativa. Criado pela Comissão Europeia no âmbito da Strategic Technologies for Europe Platform (STEP), este selo distingue projetos de elevada qualidade que contribuem para a inovação tecnológica europeia, para o reforço da competitividade do mercado interno e para a redução de dependências estratégicas da União Europeia.
“Este reconhecimento representa uma validação muito importante do trabalho desenvolvido pelo consórcio. Demonstra que as soluções propostas pelo BIG-ALGAE respondem a desafios estratégicos para a Europa e reforça a visibilidade internacional do projeto, facilitando também futuras oportunidades de financiamento e investimento”, conclui Luís Coelho.
Por Renata Silva (FCUP) e Joana Coelho/INESC TEC