Um Passeio pela Matemática

Ciclo de Palestras

 

De 30 de Abril a 11 de Junho de 2003

Às Quartas (excepto na queima)

 

Às 18 horas no Auditório da Faculdade de Arquitectura da UP

 

 

 

Matemática das Superfícies

Eduardo Rêgo

30/04

 

Alguns resultados da matemática ganharam fama e são do conhecimento de um vasto público pela extrema dificuldade das suas resoluções . O chamado “Último Teorema de Fermat”, conjecturado por Pierre de Fermat em 1637 e apenas provado em 1994 por Andrew Wiles é talvez o melhor exemplo. No entanto este resultado não representa nenhum conhecimento essencial relativamente ao mundo que nos rodeia nesta perspectiva, não passa de uma curiosidade matemática.

 

Por outro lado, há resultados da matemática que dizem muito sobre aspectos essenciais da forma como vemos e conhecemos o mundo na diversidade das suas aparências. Um dos melhores, senão mesmo o melhor exemplo é o da Classificação das Superfícies, teorema da topologia estabelecido no início do século XX pela contribuição de vários matemáticos - essa classificação é feita em termos de certos elementos que, em linguagem corrente, correspondem essencialmente ao número de aberturas de uma casa – janelas, portas – e ainda de outros elementos arquitectónicos como pilares e traves. Nessa classificação tem importância essencial uma geometria diferente da geometria euclidiana que usamos no desenho geométrico – dita hiperbólica, por estar ligada a um "excesso" de área – e que se manifesta na variação do modo como uma superfície se curva.

 

 

O Número de Ouro: Factos e Mitos

António Machiavelo

14/05

 

O número de ouro também chamado Divina Proporção desde que Fra Luca Paccioli, sob a influência de  Piero de La Francesca, escreve um livro de treze capítulos só sobre este número com desenhos de Leonardo da Vinci (o primeiro a utilizar a expressão sectia aurea), é talvez, de todos os números, o mais famoso e ubíquo.

 

Falaremos sobre a sua história, as suas notáveis propriedades geométricas, a sua presença surpreendente na Natureza e as possíveis causas da sua ubiquidade. Tentaremos pelo caminho separar os factos dos mitos que rodeiam este misterioso número (o que nem sempre é fácil...). Usaremos diferentes resultados ligados a este número para tentar transmitir a noção de belo (e de monstro) em matemática.

 

 

Caos e Fractais

José Ferreira Alves

21/05

 

Em Dinâmica procura-se entender a evolução de sistemas cujo estado se altera com o decorrer do tempo, de modo a prever em que estado o sistema se encontrará em dado momento no futuro.  Durante as últimas décadas foi ficando claro que a evolução de muitos dos sistemas que encontramos na natureza, mesmo que regidos por leis de evolução simples, é, geralmente, caótica: os estados futuros do sistema são muito afectados por pequenas variações do estado inicial. Sistemas caóticos, que inicialmente se supunham ser de abordagem quase impossível, inacessíveis à compreensão matemática, têm gradativamente vindo a ser estudados com cada vez maior eficácia, com a ajuda de técnicas e teorias matemáticas ajustadas a esse tipo de sistemas, que forçosamente não se enquadram nas teorias mais clássicas. Para essa eficiente abordagem muito contribuíram a introdução de uma nova linguagem (probabilística) e uma nova geometria (fractal).

 

A riqueza dinâmica de muitos fenómenos caóticos concentra-se em regiões para onde convergem os estados futuros do sistema (atractores), possuindo formas geométricas que podem ser bastante complicadas. A estrutura desses atractores (ditos estranhos), que numa primeira abordagem poderá parecer completamente irregular e desprovida de qualquer padrão, revela-se, muitas vezes, similar em diferentes escalas e com alguma regularidade na forma como essa similaridade vai aparecendo nas diversas escalas. A aparente irregularidade desses atractores está relacionada com falta de enquadramento da sua dimensão nos “padrões tradicionais” de dimensão inteira (linhas possuem dimensão 1, planos possuem dimensão 2, etc.). Contudo, é possível associar a muitos desses objectos um número fraccionário que generaliza para esses objectos (por isso ditos fractais) o conceito de dimensão.

 

 

Os Limites da Computabilidade

Pedro Silva

28/05

 

Após um século XIX marcado por grandes eventos na formalização da Matemática, o segundo quartel do século vinte assiste aos trabalhos de matemáticos como Godel e Turing em que as limitações intrínsecas ao conhecimento matemático e à computabilidade são evidenciadas.  Depois da Física é a vez da Matemática se defrontar com a relativização dos seus próprios resultados.

 

Concentrar-nos-emos no trabalho desenvolvido por Turing, cujas consequências desafiam um dos pilares do moderno senso comum: a crença nas possibilidades ilimitadas do desenvolvimento tecnológico.

 

 

Em Volta da Fórmula de Euler, “F-A+V=2”

António Guedes de Oliveira

04/06

 

A fórmula, que relaciona o número de faces, arestas e vértices de, por exemplo, um poliedro, apesar da aparência tão simples traduz uma realidade bem complexa. Talvez por isso ela se revele geometricamente de formas surpreendentes, fixando o número de poliedros regulares ou obrigando à existência de viadutos nas estradas com certos requisitos, por exemplo.

 

Começando por aqui, tentaremos evidenciar a ocorrência de estruturas da "matemática discreta" na justificação de fenómenos do quotidiano, nomeadamente os da organização do espaço, bem como a possibilidade de utilização dos seus resultados na solução de diferentes problemas.

 

 

Matemática das Bolas de Sabão

Carlos Miguel Menezes

11/06

 

As bolas e as películas de sabão são exemplos de superfícies mínimas, assim chamadas, porque a natureza, aparentemente munida de um princípio de economia, procura encontrar as formas (perímetros, áreas) que minimizem a energia necessária para manter ou circunscrever uma dada região (área, volume). Por exemplo, a região do espaço com menor área que circunscreve  um dado volume  é uma superfície esférica de raio apropriado, o que justifica, em parte, o facto das gotas de água serem esféricas. Abordaremos a matemática subjacente às superfícies mínimas, daremos exemplos clássicos e recentes de superfícies mínimas realizáveis ou não através de películas de sabão, e referiremos algumas das aplicações destas superfícies.

 

 

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