Esta página pretende ser mais um apoio a alunos de Matemática, e a outros, no estudo de sucessões.
Como pré-requisito, recomenda-se o conhecimento do conceito de sucessão.
Com esta página
pretende-se ajudar a clarificar o conceito de limite de uma sucessão,
partindo com o exemplo da sucessão an=
1
/ n ,
chegando até à definição formal de Limite de
uma Sucessão. Nesta exposição são apresentados
vários exemplos que contêm links para sketchs manipuláveis,
permitindo, assim, uma melhor compreensão do assunto estudado.
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O Limite de uma Sucessão
A sucessão cujo n-ésimo termo é an= 1 / n ,
1 , 1/2 , 1/3 , 1/4 , ... , 1/n , ... ,
tem limite 0 quando n tende para infinito:
lim 1/n = 0 quando n!1,
(ou, equivalentemente, que an
converge
para 0 ).
Vamos ver o que é que isto significa:
Á medida que a ordem dos termos da sucessão aumenta, os termos desta ficam cada vez mais pequenos. Por exemplo:
Para ter uma ideia clara da noção de convergência desta sucessão temos que definir o que é que entendemos por:
Uma interpretação geométrica ajuda-nos a clarificar
a situação.
Tendo em conta que uma sucessão é uma função
cujo domínio é N, observemos a
representação gráfica da sucessão:

Consideremos um qualquer intervalo I no eixo das ordenadas, de comprimento 2e e com centro em 0, de tal forma que cada lado do ponto 0 tenha de comprimento e.
Se e =10 é claro que todos os termos an= 1 / n da sequência vão estar dentro do intervalo I, (pois a1=1, a2=1/2, ..., são todos menores do que 10 ).Se e =1/10, então os primeiros termos da sequência vão estar fora de I, mas todos os termos a partir do a10
1 / 11, 1 / 12, 1 / 13, 1 / 14, ..., vão estar dentro de I, como se pode ver na figura anterior.
Se tivéssemos escolhido e
=1/1000
, apenas os primeiros 1000 termos da sucessão estariam
fora de I, enquanto que o termo a1001
e toda a infinidade de termos seguintes a1002,
a1003,
a1004,
a1005,
..., estariam dentro do intervalo I.
Obviamente, este argumento vale para qualquer valor positivo de e
:
Para qualquer valor positivo que se escolha para e,
mesmo que seja muito pequeno, nós podemos encontrar um natural
N
de
forma a que 1 / N < e ,
(como se viu atrás nos casos de e
=10
, e =1/10 e e
=1/1000
).
Desta forma todos os termos an
da sequência para os quais n >
N vão estar dentro do intervalo I, e apenas um
número finito de termos a1,
a2,
a3,
a4,
..., aN-1, estão fora.
| CONCLUSÃO: | 1º- é dado um valor para e, que determina o comprimento do intervalo I, que é 2e. |
| 2º- encontra-se um valor natural N apropriado, de forma a que anÎI para todo n>N. |
No caso geral, quando se diz que "a sucessão de números reais a1, a2, a3, a4, ..., tem limite a":
lim an= a quando n!1,
A definição de convergência de uma sucessão pode ser formulada de uma forma mais concisa, como se segue:
| A sucessão a1,
a2,
a3,
a4,
..., tem limite a
quando n tende para infinito
se, para cada valor de e, mesmo que seja muito pequeno, é possível encontrar um natural N (dependente de e), tal que ou equivalentemente,
|
Assim, dando os nomes simbólicos e
e N às frases "tão
próximo ... quanto quierámos" e "uma ordem suficientemente
grande", respectivamente, temos uma definição precisa
de limite de uma sucessão.
Observemos os alguns exemplos:
I. Consideremos a sucessão 1/2, 2/3, 3/4, 4/5, ..., n / (n+1), ..., cujo termo geral é
bn= n / (n+1) . Vejamos que lim bn = 1.(Repare que lim bn= 1 <=> 1 - lim bn= 0, e 1 - bn= 1 - n/(n+1) = (n+1-n)/(n+1) = 1/(n+1) )
Se e = 1/10 temos 0 < 1 - bn= 1/(n+1) < 1/10 que é verdadeiro para todo n >10.
Então para satisfazer a condição ] basta escolher N =10.
Graficamente podemos ver facilmente que, apartir do 10º todos os termos (dos que são possíveis ver) estão dentro do intervalo I=]0,9;1,1[
OBS: Quando uma sucessão não tem limite, ou não é convergente, diz-se que a sucessão é divergente, como é o caso da sucessão cn= (-1)n.Se tivéssemos escolhido e = 1/1000 teríamos 0 < 1 - bn= 1/(n+1) < 1/1000 que é verdadeiro para todo n >1000.
Então, novamente, para satisfazer a condição ] bastaría escolher N =1000.
Da mesma forma para qualquer valor positivo de e que se escolha, mesmo que seja muito pequeno, precisámos escolher apenas um qualquer inteiro N maior do que 1/e.
Assim, à medida que a ordem dos termos aumenta esses termos vão ficando cada vez mais próximo de 1.
Para qualquer margem e que se escolha à volta de 1 ( ]1-e ;1+e[ ) há sempre uma ordem N ( N maior do que 1/e) para a qual todos os termos de ordem superior a N estão dentro dessa margem, ou seja,para qualquer e, bnÎ]1-e ;1+e[ para todo n>N e apenas um número finito de termos b1,b2, b3, b4, ..., bN-1, estão fora do intervalo.
onde N é um inteiro maior que 1/e.Se os membros da sequência b1,b2, b3, b4, ..., estiverem expressos na forma décimal lim bn = b significa que para qualquer inteiro m, os primeiros m dígitos de bn coincidem com os primeiros m dígitos da expansão décimal infinita de b, se n é maior ou igual a um certo N (que depende de m). Esta situação corresponde a escolher e = 10-m.
Exemplo: Se e =1/1000 =10-3 então N=1000 (como vimos em cima), logo os primeiros 3 dígitos da expansão décimal infinita de bN= b1000= 1000/1001 = 0,99900099..., coincidem com os 3 primeiros dígitos da expansão infinita de 1 = 0,99999999... .
II. Consideremos a sucessão -1, 1, -1, 1, -1, 1, ..., (-1)n, ..., cujo termo geral écn= (-1)n. Vejamos que cn não tem limite. ![]()
Click na imagem para um link de um sketch, onde pode manipular e observar melhor o gráfico da sucessão.
(Só é possível ver e manipular esse sketch se possuir o programa "THE GEOMETER'S SKETCHPAD" ou o "JAVASKETCHPAD".
Caso não possua nenhum deles, click em "JAVASKETCHPAD" para fazer um download do respectivo programa.)Repare que a sucessão dos termos pares de cn é 1 , ou seja, c2n= 1, logo lim c2n= 1. Por outro lado a sucessão dos termos impares de cn é -1 , ou seja, c2n-1= -1, logo
lim c2n-1= -1.
Vejamos que o lim cnnão pode ser 1:
Se e = 5é claro que todos os termos de cn estãodentro do intervalo I=]-4 ;6 [.
Então para satisfazer a condição ] bastaria escolher N =1.
Contudo se tomarmos e = 0,5 vemos que apenas os termos de ordem par pertencem a I=]0,5 ;1,5 [. Assim, temos uma infinidade de termos de cn dentro do intervalo I (os termos de ordem par), e uma infinidade de termos de cn fora de I (os termos de ordem impar).
Assim, tomando e = 0,5 , para todo o natural N existe sempre um n para o qual|1 - cn|>0,5basta tomar um valor n impar maior do que N, Na análise da convergência interessa que a condição ] seja satisfeita para qualquer valor de e (como vimos neste exemplo, a condição era satifeita para e= 5, mas não o era para e= 0,5 ).
contrariando a condição ].III. Consideremos a sucessão 1, 4, 9, 25, ..., n2, ..., cujo termo geral é dn= n2.Repare que se escolhermos um valor K qualquer (eventualmente muito grande), existe sempre um termo dn maior que K. Ora vejámos:
- se K=200 temos que d5= 52=225 > 200 (basta escolher um valor n tal que n2 >200 => n>14).
- se K=9999999 temos que d3163= 31632=10004569 > 9999999 (basta escolher um valor n tal que n2 >9999999 => n>3162).
Se uma sucessão xn verifica a condição: para qualquer valor (real positivo) K, existe um natural N tal queUma sucessão xn nestas condições diz-se divergente.xn > K para todo n > N, diz-se que xn tende para mais infinito, e escreve-se:lim xn=+1 , ou, xn!+1. Logo, dn= n2 tende para infinito, e escreve-se:lim n2=1 , ou, n2!1.
Analogamente, diz-se que xn tende para meno infinito, e escreve-se: lim xn=-1 , ou, xn!-1, se para qualquer valor (real negativo) K, existe um natural N tal que
xn < K para todo n > N.