CARTOGRAFIA ANALÓGICA
A aquisição de dados sobre
a distribuição espacial de propriedades significativas da
superfície terrestre tem sido desde longa data uma parte importante
das actividades das sociedades organizadas. Desde as civilizações
mais antigas até aos tempos modernos, a informação espacial
tem sido reunida por navegadores, geógrafos e geodetas, tomando a
forma gráfica através dos cartógrafos produtores de
mapas. Inicialmente, os mapas eram utilizados para descrever regiões
distantes, como apoio à navegação e a estratégias
militares.
Foi apenas no Séc. XVIII que a civilização europeia
atingiu um estado de organização tal que muitos governos reconheceram
o valor da cartografia sistemática dos seus territórios. Foram,
então, criadas instituições governamentais destinadas
à cartografia de países inteiros. Estas bem organizadas instituições
continuaram, até hoje, a desenvolver os processos de conversão
da distribuição espacial das características da superfície
terrestre em forma de cartas, com padrões da mais elevada qualidade.
Enquanto que as cartas topográficas podem ser consideradas como
utilização geral, já que não são concebidas
para atingir um objectivo determinado, isto é, podem ser usadas para
fins diversos, cartas como as de solos, meteorologia ou utilização
da terra são criadas para fins bem delineados. Estas cartas com objectivos
muito específicos são designadas cartas temáticas,
já que contêm informações sobre um único
aspecto ou tema. Para tornar as informações temáticas
de fácil compreensão, as cartas temáticas são
desenvolvidas sobre uma base topográfica, pela qual os utilizadores
se podem orientar.
Até à introdução do computador em cartografia,
todos os tipos de cartas tinham um ponto comum: a base de dados espaciais
era um desenho numa folha de papel ou filme. A informação
era registada através de elementos pontuais, de linha e de superfície.
Estas entidades geográficas básicas eram apresentadas com
recurso a vários artifícios visuais, tais como símbolos
diversos, cores ou texto, sendo o seu significado explicado em legenda.
A aquisição e compilação dos dados e a publicação
da carta impressa é uma tarefa demorada e muito dispendiosa. Enquanto
a carta podia servir para um período de 20 ou mais anos, o elevado
custo da sua produção inicial não era um aspecto muito
significativo. Porém, presentemente, é tal a necessidade de
informações sobre alterações à superfície
da Terra que as técnicas cartográficas convencionais se tornam
verdadeiramente inadequadas. Por exemplo, para certos tipos de cartas, tais
como cartas do tempo ou da rede de uma companhia telefónica, pode
haver necessidade de uma actualização diária ou mesmo
horária, o que é manifestamente impossível na produção
manual de cartas.
CARTOGRAFIA DIGITAL
Nas últimas décadas, a fotografia
aérea e, mais recentemente, as imagens obtidas por satélite
– Detecção Remota – tornaram possível
avaliar como a superfície terrestre se vai modificando com o tempo,
acompanhar a marcha lenta da desertificação e da erosão,
ou progressão mais rápida dos fogos florestais, das cheias ou
das situações meteorológicas. Mas os produtos obtidos
a bordo de aviões ou de satélites não são cartas,
no significado restrito da palavra, mas sim imagens fotográficas ou
sequências de dados em registos magnéticos. A informação
digital não está na forma familiar de pontos, curvas ou áreas
representando as já reconhecidas e classificadas características
da superfície terrestre, mas sim codificada em células – “pixeis”
– numa matriz bidimensional, que contêm apenas um número indicativo
da intensidade da radiação electromagnética reflectida,
numa dada banda. Foi, pois, necessário criar novos processos para converter
aquelas sequências de números em figuras e para identificar os
pormenores mais significativos.
Embora a utilização do computador em cartografia se tivesse
iniciado já na década de 60, essa utilização estava
limitada ao desenho automático e à preparação
de matrizes para a impressão de cartas. Para a cartografia tradicional,
a nova tecnologia computacional não alterou a atitude fundamental na
produção de cartas – a carta impressa de alta qualidade permanecia
como a principal forma de armazenagem de dados.
Na década de 70, a experiência ganha com o desenho de cartas
no computador (CAD) e o próprio desenvolvimento dos processos informáticos
levaram ao reconhecimento das enormes vantagens da utilização
do computador em cartografia
- Produção mais rápida de cartas já
existentes;
- Produção mais barata de cartas já
existentes;
- Produção de cartas para fins específicos
dos utilizadores;
- Permitir ensaios com diferentes representações
gráficas do mesmo conjunto de dados;
- Facilitar a produção de cartas e a sua utilização
quando os dados estão já em forma digital;
- Facilitar a análise dos dados que exigem uma interacção
entre processos estatísticos e a representação cartográfica;
- Minimizar a utilização da carta impressa
como forma de armazenagem dos dados e, por isso, minimizar a utilização
da carta impressa como forma de armazenagem dos dados e, por isso, minimizar
os efeitos da classificação e generalização da
qualidade dos dados;
- Produzir cartas difíceis de desenhar à mão,
como, por exemplo, cartas tridimensionais;
- A introdução da automatização
conduz à modificação de todo o processo de produção
de cartas, com grande redução dos custos e possibilidade de
aperfeiçoamentos diversos;
- Finalmente, a disponibilidade de informação
cartográfica em forma digital fornece uma base de dados altamente poderosa
para análise de diversos problemas espaciais.
e ao desenvolvimento dos Sistemas de Informação
Geográfica
Finalmente, a partir da década de
80, a utilização sistemática de receptores dos Sistemas
Globais de Posicionamento e Navegação por
Satélite, instalados em carros e aviões, permite uma aquisição
rápida e precisa de nova informação a ser introduzida
nas cartas digitais e, permite, ainda, a validação da cartografia
já existente.
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