- Cartografia Engenharia Geográfica, FCUP

A Cartografia é a ciência de criar mapas. Envolve a recolha de informação geográfica, o armazenamento, processamento e edição desta informação, e sua a representação em forma de mapas ou cartas. A Cartografia relaciona-se com diversas outras áreas, como a Geodesia, a Topografia, o Posicionamento e Navegação por Satélite, a Detecção Remota e os Sistemas de Informação Geográfica
Carta do Porto

Cartografia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto 

Licenciatura em Engenharia Geográfica
A disciplina de Cartografia, inserida no 4º ano do plano de estudos da licenciatura em Engenharia Geográfica, tem como objectivos:
  • Dar aos alunos um conhecimento da Cartografia Matemática de um modo geral mas, com uma incidência particular nas diferentes projecções utilizadas na Cartografia Nacional analógica ou em suporte digital.
  • Sensibilizar os alunos para a importância do Datum adoptado em cada uma das cartas e do conhecimento dos parâmetros de transformação entre os diferentes Sistemas de Referência.
  • Mostrar a importância dos Sistemas Globais de Posicionamento e Navegação por Satélite, quer na validação de Cartas quer na sua actualização.

Mestrado em Posicionamento e Navegação por Satélite (próxima edição em 2003/2004)


Uma Breve Perspectiva Histórica

CARTOGRAFIA ANALÓGICA

A aquisição de dados sobre a distribuição espacial de propriedades significativas da superfície terrestre tem sido desde longa data uma parte importante das actividades das sociedades organizadas. Desde as civilizações mais antigas até aos tempos modernos, a informação espacial tem sido reunida por navegadores, geógrafos e geodetas, tomando a forma gráfica através dos cartógrafos produtores de mapas. Inicialmente, os mapas eram utilizados para descrever regiões distantes, como apoio à navegação e a estratégias militares.
Foi apenas no Séc. XVIII que a civilização europeia atingiu um estado de organização tal que muitos governos reconheceram o valor da cartografia sistemática dos seus territórios. Foram, então, criadas instituições governamentais destinadas à cartografia de países inteiros. Estas bem organizadas instituições continuaram, até hoje, a desenvolver os processos de conversão da distribuição espacial das características da superfície terrestre em forma de cartas, com padrões da mais elevada qualidade.
Enquanto que as cartas topográficas podem ser consideradas como utilização geral, já que não são concebidas para atingir um objectivo determinado, isto é, podem ser usadas para fins diversos, cartas como as de solos, meteorologia ou utilização da terra são criadas para fins bem delineados. Estas cartas com objectivos muito específicos são designadas cartas temáticas, já que contêm informações sobre um único aspecto ou tema. Para tornar as informações temáticas de fácil compreensão, as cartas temáticas são desenvolvidas sobre uma base topográfica, pela qual os utilizadores se podem orientar.
Até à introdução do computador em cartografia, todos os tipos de cartas tinham um ponto comum: a base de dados espaciais era um desenho numa folha de papel ou filme. A informação era registada através de elementos pontuais, de linha e de superfície. Estas entidades geográficas básicas eram apresentadas com recurso a vários artifícios visuais, tais como símbolos diversos, cores ou texto, sendo o seu significado explicado em legenda.
A aquisição e compilação dos dados e a publicação da carta impressa é uma tarefa demorada e muito dispendiosa. Enquanto a carta podia servir para um período de 20 ou mais anos, o elevado custo da sua produção inicial não era um aspecto muito significativo. Porém, presentemente, é tal a necessidade de informações sobre alterações à superfície da Terra que as técnicas cartográficas convencionais se tornam verdadeiramente inadequadas. Por exemplo, para certos tipos de cartas, tais como cartas do tempo ou da rede de uma companhia telefónica, pode haver necessidade de uma actualização diária ou mesmo horária, o que é manifestamente impossível na produção manual de cartas.

CARTOGRAFIA DIGITAL

Nas últimas décadas, a fotografia aérea e, mais recentemente, as imagens obtidas por satélite – Detecção Remota – tornaram possível avaliar como a superfície terrestre se vai modificando com o tempo, acompanhar a marcha lenta da desertificação e da erosão, ou progressão mais rápida dos fogos florestais, das cheias ou das situações meteorológicas. Mas os produtos obtidos a bordo de aviões ou de satélites não são cartas, no significado restrito da palavra, mas sim imagens fotográficas ou sequências de dados em registos magnéticos. A informação digital não está na forma familiar de pontos, curvas ou áreas representando as já reconhecidas e classificadas características da superfície terrestre, mas sim codificada em células – “pixeis” – numa matriz bidimensional, que contêm apenas um número indicativo da intensidade da radiação electromagnética reflectida, numa dada banda. Foi, pois, necessário criar novos processos para converter aquelas sequências de números em figuras e para identificar os pormenores mais significativos.
Embora a utilização do computador em cartografia se tivesse iniciado já na década de 60, essa utilização estava limitada ao desenho automático e à preparação de matrizes para a impressão de cartas. Para a cartografia tradicional, a nova tecnologia computacional não alterou a atitude fundamental na produção de cartas – a carta impressa de alta qualidade permanecia como a principal forma de armazenagem de dados.
Na década de 70, a experiência ganha com o desenho de cartas no computador (CAD) e o próprio desenvolvimento dos processos informáticos levaram ao reconhecimento das enormes vantagens da utilização do computador em cartografia
  • Produção mais rápida de cartas já existentes;
  • Produção mais barata de cartas já existentes;
  • Produção de cartas para fins específicos dos utilizadores;
  • Permitir ensaios com diferentes representações gráficas do mesmo conjunto de dados;
  • Facilitar a produção de cartas e a sua utilização quando os dados estão já em forma digital;
  • Facilitar a análise dos dados que exigem uma interacção entre processos estatísticos e a representação cartográfica;
  • Minimizar a utilização da carta impressa como forma de armazenagem dos dados e, por isso, minimizar a utilização da carta impressa como forma de armazenagem dos dados e, por isso, minimizar os efeitos da classificação e generalização da qualidade dos dados;
  • Produzir cartas difíceis de desenhar à mão, como, por exemplo, cartas tridimensionais;
  • A introdução da automatização conduz à modificação de todo o processo de produção de cartas, com grande redução dos custos e possibilidade de aperfeiçoamentos diversos;
  • Finalmente, a disponibilidade de informação cartográfica em forma digital fornece uma base de dados altamente poderosa para análise de diversos problemas espaciais.
e ao desenvolvimento dos Sistemas de Informação Geográfica

Finalmente, a partir da década de 80, a utilização sistemática de receptores dos Sistemas Globais de Posicionamento e Navegação por Satélite, instalados em carros e aviões, permite uma aquisição rápida e precisa de nova informação a ser introduzida nas cartas digitais e, permite, ainda, a validação da cartografia já existente.

Exemplo de Projecções Cartográficas


Projecção Azimutal
Azimutal

Projecção Cilindrica

Cilindrica

Projecção Cónica

Conica

Ligações na WWW

Instituições Internacionais:
Instituições Nacionais:
Outros locais de interesse:


Última actualização: 22 Julho 2003